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Nesse feriado tomei coragem para fazer aquilo que já queria há muito tempo: mudar a minha conta Amazon para os Estados Unidos e, depois, para a França, para comprar livremente ebooks em inglês e em francês (embora não ao mesmo tempo). A disponibilidade de conteúdo na Amazon — e em qualquer outro lugar deste vasto mundo digital — varia de acordo com o país porque as editoras estipulam os royalties dessa forma. Nunca entendi como funcionam esses royalties (mas dá para ter uma ideia de como o conceito se aplica a editoras independentes aqui nesse link), nem as leis de direitos autorais para cada país, mas sempre achei um contra-senso limitar o acesso a um conteúdo que de outra forma seria livre para qualquer um com acesso à Internet em qualquer lugar do mundo.
Quando a Amazon lançou a loja deles por aqui, falei por chat com alguns dos atendentes. Queria saber o seguinte: se eu mudasse para a loja brasileira, poderia mudar de volta para a americana? Eles disseram que sim. Mas eu não arrisquei, porque tenho muitos audiobooks na minha conta na Amazon e estava com medo de perdê-los — talvez isso já tenha sido mudado, é preciso checar. Mas no comecinho do feriado, me dei conta de que vários livros que eu planejava comprar — Julian Barnes, Agatha Christie e os dois últimos livros da Trilogia dos Cinquenta Tons — não estavam mais disponíveis ou só podiam ser comprados no pacote (e se eu já tinha um dos livros para quê mesmo iria querer comprá-lo de novo?). Foi aí que alguém da Amazon sugeriu que eu mudasse o país — até então Brasil — para Estados Unidos. Pronto. Num passe de mágica, todos aqueles livros — e outros mais — apareceram na loja.
No dia seguinte, resolvi ir mais longe. Mudei meu país para França e transferi a minha conta para Amazon.fr. Foi uma das melhores decisões literárias que tomei nos últimos anos, pois instantaneamente tive acesso aos títulos contemporâneos de alguns dos melhores e mais lidos escritores franceses. Gente como Éric-Emmanuel Schmitt — meu preferido até o momento –, Tatiana de Rosnay — tenho dois livros dela em versão brochura, mas até agora não tive coragem de ler, Marc Levy — que ainda acho meio autoajuda –, Guillaume Musso e Katherine Pancol — de quem provavelmente gostarei muito (leia sobre esses autores aqui). Li um livro inteirinho de Schmitt ontem, e recomendo muito. Mas o principal, mesmo, é ganhar acesso fácil à literatura francófona de hoje em dia, um luxo.
Para quem quer fazer o mesmo e transferir a conta de uma loja para a outra, aí vai um Passo a Passo bem básico:
Mude a sua configuração de país.
No canto direito da página, clique em Your Account e então em Manage Your Kindle. Na barra esquerda, você verá a opção Country Settings.
É lá que você deve escolher o país e inserir um endereço ou código postal válidos.
Não se preocupe, a Amazon não se comunicará com você de nenhuma forma por meio deste endereço físico.
Transfira sua conta.
Se você já usa a Amazon.com e mudou a configuração de país para Estados Unidos, o catálogo aparece para você instantaneamente. Mas se você mudou para Brasil, França ou outro país, você deve entrar na página da loja virtual e autorizar a transferência.
Leia com atenção quais itens serão ou não transferidos. Como não tenho nenhuma assinatura, apenas ebooks e audiobooks, para mim não teve problema. Mas é melhor garantir.
Bom, este é meu depoimento de cliente Amazon cada dia mais feliz
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Devo acrescentar que alguns amigos meus compram conteúdo fora da Amazon para ler no Kindle ou no Nook ou em qualquer outro ereader há muito tempo. E que há outros métodos de transferência que não envolvem mudar de conta a cada momento, mas talvez exijam contas múltiplas e bastante trabalho — eu por exemplo nunca conectei nenhum Kindle meu ao computador (leia aqui para conhecer mais).
A Livraria Cultura também vende o Kobo, que é bem híbrido nesse sentido. Enfim, as opções são infinitas. Mas eu continuo fiel ao Kindle e à Amazon, que ao longo dos anos se tornou, sem sombra de dúvidas, a minha livraria favorita. O Kindle é o melhor ereader que já vi e o catálogo global de livros eletrônicos é excepcional. E torço muito para que um dia as editoras ofereçam seus livros ao mesmo tempo para o mundo todo, e nós leitores possamos escolher o que queremos ler, a qualquer hora.
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O post acabou ficando longo demais, mas no próximo falarei sobre os dois livros que terminei de ler no feriado, The Hollow, de Ms Christie, e L’Hôtel des Deux Mondes, de Schmitt. Fiquei particularmente fascinada por esta peça de pouco mais de 150 páginas que li inteirinha na noite de quarta-feira de cinzas. Schmitt me fez rir em voz alta e chorar também, com sua história simples, escrita cristalina e personagens de carne e osso. Às vezes acho que gosto da dramaturgia mais do que tudo, porque lá as imagens e as palavras servem aos seus verdadeiros mestres.
E já estou lendo Maigret et le Fantôme, de Georges Simenon. Adoro Maigret e tenho certeza de que ele foi a inspiração de Christie para criar Poirot!





